AUTO-AVALIAÇÃO
Maria Celina Melchior
Avaliar é atribuir um valor a fatos, objetos e desempenhos. Avaliar em educação é, segundo LUCKESI (1998, p.18), "julgar dados relevantes para tomar uma decisão".
Auto-avaliar-se é o ato de julgar seu próprio desempenho nas atividades propostas. É a análise do esforço despendido em relação à sua capacidade; do resultado obtido em relação ao que foi solicitado.
Na concepção tradicional de educação, a auto-avalição não existia e se alguém tentasse usá-la era severamente criticado pelos colegas, pois o professor era o "dono" da nota do aluno. Na Escola Nova, passou a ter soberania. A avaliação do professor era determinada pela auto-avaliação do aluno. Em decorrência disso, aconteceram abusos e hoje muitos educadores rejeitam o seu uso, sem uma análise mais profunda da problemática existente, e preferem, também neste caso, abandonar e criticar seu uso em vez de procurar uma transformação na forma como vem sendo feita.
Foi a forma como era feita a auto-avaliação que desvalorizou seu uso. O aluno era convidado a atribuir uma nota ao seu desempenho, sem ter um critério claro, e esta nota tinha, em muitos casos, com professores mais extremados, valor absoluto registrado nos documentos do aluno. Alguns professores faziam uma média das notas dadas por eles com a nota da auto-avaliação do aluno, também com critérios diferentes, ou até sem que um soubesse o que o outro estava considerando.
A auto-avaliação é necessária em todos os momentos da vida do indivíduo, ajudando-o a desenvolver um conceito mais realista de si próprio. Isso vai contribuir para um maior ajustamento social. E para o reconhecimento da necessidade de seu esforço pessoal na busca de um maior desenvolvimento.
O indivíduo deve estabelecer um paralelo entre o que ele pensa sobre si próprio e o que os outros pensam dele e analisar as diferentes percepções para verificar se há e onde estão as discrepâncias.
Assim, é indiscutível a importância do preparo das pessoas para fazerem uma auto-avaliação válida, com critérios bem definidos e aceitos no seu contexto. Conforme DRESSEL (apud KRAHE, p.165):
O estudante necessita tornar-se auto-avaliativo. À medida que os estudantes são encorajados a avaliar continuamente seus próprios esforços, os seus critérios aumentam em sofisticação e se aproximam daqueles do instrutor, são promovidos tanto à aprendizagem quanto a capacidade de auto-redirecionamento e auto-avaliação.
A auto-avaliação do aluno deve servir como mais um subsídio para a auto-avaliação do professor. Também o professor deve comparar a sua percepção sobre si mesmo com a percepção que os outros têm dele. Ele pode pensar que está sendo muito claro em suas explicações. Mas o aluno é quem deve dizer se está entendendo ou não. Este confronto é necessário, inclusive para se constatar se os critérios considerados por ambos são os mesmos.
O aluno vai auto-avaliar-se principalmente em relação a suas atitudes e habilidades, mas também quanto ao nível de seu conhecimento intelectual. O professor vai considerar toda a sua organização pedagógica, deste o momento inicial do processo, quando são estabelecidos os objetivos, a significância do que está sendo trabalhando, a forma como está sendo desenvolvido o processo de ensino e aprendizagem e a interação professor-aluno.
A discussão sobre a auto-avaliação e o confronto das percepções permite, em geral, uma conscientização em cada indivíduo sobre a importância do cumprimento de sua parcela, num projeto de crescimento mútuo, visando à transformação da realidade. Contribuem ainda, para reforçar o autoconceito positivo, se os resultados positivos forem enfatizados, ou para, em conjunto, encontrarem soluções aos problemas ainda não resolvidos.
O momento da auto-avaliação deve ser uma parada para refletir profundamente sobre as mudanças ocorridas durante as interações entre o indivíduo que é o sujeito da aprendizagem e o novo saber.
Na Auto-avaliação (AA) o aluno deverá atribuir de 0 a 5 pontos, no estágio em Educação Infantil, avaliando assim a realização do estágio considerando os seguintes critérios:
1. Aprendizagens e reflexões sobre a formação docente na Educação Infantil;
2. Identificação de suas necessidades de formação, desenvolvimento profissional e pessoal;
3. Gestão participativa e Gestão pedagógica considerando a experiência na instituição em que realizou o estágio;
4. Especificidades e natureza da formação docente e do estágio na modalidade semi-presencial;
5. Contribuições para o planejamento, orientações e organização do estágio por parte da equipe de estágio;
6. Outras contribuições importantes para sua auto-avaliação.
No que se refere às especificidades de cada estágio, indicamos:
- Estágio em Educação Infantil: Tendo em conta o planejamento de estágio, avalie de que modo esta proposta foi implementada? Houve participação das crianças / dos outros profissionais na escola? Explicite sua intervenção na organização e dinamização de atividades e as influências e repercussões desta prática na sua formação.
ORIENTAÇÕES SOBRE O RELATÓRIO 2
No Relatório 2, que será entregue no Polo em 04/12, seguindo a estrutura do Relatório 1, portanto registrado em forma de Diário de Campo, apresenta seus comentários, análises e reflexões sobre suas aprendizagens na docência sobre todas as atividades realizadas nesta segunda etapa, na participação das:
- Atividade Presencial 3 - o que aprendeu; contribuições e dificuldades no estágio;
- Projetos de atividades: como foi o andamento e a finalização dos projetos.
Analise as atividades realizadas, as aprendizagens para as crianças e para sua formação docente, contribuições dos seus projetos para o professor da turma e para a escola, as dificuldades no desenvolvimento dos projetos que justificaram alterações no planejamento com as estratégias para estas mudanças.
- Faça uma síntese da contribuição que o Registro e observação de aluno trouxe para sua formação;
- Registre aspectos da Gestão Escolar que você pode observar e/ou participar, inclusive se existe algum processo de avaliação institucional proposto pela escola ou secretaria de educação ou ainda se você pode realizar alguma ação nos moldes propostos pelos ‘indicadores de qualidade’ do MEC.
- Comente os textos indicados e lidos na relação e fundamentação do seu estágio;
- Preencha e anexe o cronograma de atividades da 2ª etapa.
Ao longo do semestre, em parceria com a escola e a orientação da tutoria você deve construir seu estágio podendo então identificar as aprendizagens, desafios, lacunas e contribuições que aconteceram neste processo.
Esperamos que na sua avaliação final, que acontecerá no Polo em forma de auto-avaliação, você possa identificar o que de mudanças as aprendizagens de Estágio em Educação Infantil, quanto seu olhar para a infância e para educação, construíram no seu fazer docente.
Bom trabalho!!
Equipe de Estágio em Educação Infantil
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL
"Uma escola precisa ser mais do que um lugar agradável, onde se brinca. Deve ser um espaço estimulante, educativo, seguro, afetivo, com professores realmente preparados para acompanhar a criança nesse processo intenso e cotidiano de descobertas e de crescimento. Precisa propiciar a possibilidade de uma base sólida que influenciará todo o desenvolvimento futuro dessa criança".
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